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Análise Grand Theft Auto IV

Na praça desde o último mês de abril, quando foi lançado para Xbox 360 e Playstation 3, “Grand Theft Auto IV” vendeu mais de 6 milhões de cópias e arrancou elogios da crítica e público. Agora é a vez do PC receber uma versão do blockbuster, para o alívio dos fiéis entusiastas da plataforma, que ganham algumas melhorias importantes como forma de compensar o atraso. Porém, nem tudo é festa: a conversão para computadores é um tanto relaxada, apresentando instabilidade e pedindo uma máquina absurdamente potente para rodar como deveria.

História de cinema

Dois fatores são fundamentais para o sucesso deste “GTAIV”, como é mais conhecido, e o primeiro deles é a narrativa. Os irmãos Sam e Dan Houser, chefões da Rockstar Games, nunca esconderam sua paixão pelo cinema e aqui utilizam de todos os truques e técnicas narrativas imagináveis para dar ao jogo aquele climão de filme de gângster, sem o tom exagerado, beirando a paródia, de alguns dos episódios anteriores.

A figura principal aqui é Niko Bellic, ex-soldado de conflitos do leste europeu que vai para a América na esperança de conseguir uma vida melhor na companhia de seu primo Roman. Ao desembarcar em Liberty City, porém, descobre que seu parente está envolvido até o pescoço com o submundo do crime local. Para livrá-lo, acaba forçado a se envolver em trabalhos sujos envolvendo roubos de carro, extorsão e até assassinatos. Assistimos então o declínio de um homem marcado pelo passado em uma jornada sem volta – em uma série de missões que testam a integridade moral do protagonista.

Niko é retratado de maneira impecável, que faz com que você torça por ele, por mais moralmente repulsivo que acabe se tornando. Fruto do belo trabalho de caracterização, que tenta embasar e construir seu histórico, suas motivações e delinear sua personalidade com perfeição. E assim também acontece com boa parte do elenco de apoio, como Roman, o amigo Little Jacob e o interesse amoroso Michelle, entre vários outros. Todos são retratados de forma extremamente humana, criando um vínculo entre os personagens, ainda raro de se ver nos videogames, mesmo com tanta tecnologia disponível hoje. É um aspecto tão sabiamente valorizado pelo jogo que existem vários minigames que servem apenas para fortalecer este elo – basta você ligar para alguém para marcar uma partida de boliche, por exemplo.

Cidade viva

O outro fator fundamental para a incrível sensação de imersão é a ambientação. Liberty City, para todos os efeitos, é uma cidade real. Pode parecer exagero, mas nunca uma cidade foi retratada com tanto realismo, criada com tantos detalhes quanto aqui.

Mesmo que tudo pareça menor do que a área mostrada em “Grand Theft Auto: San Andreas”, aqui há muito mais o que explorar e observar. Há uma grande riqueza de minúcias, modelos de construções, traçados de pistas, veículos e, claro, muitas pessoas diferentes nas ruas. Tais figurantes, por assim dizer, agem de uma maneira assustadoramente realista, abrindo guarda-chuva ao verem sinal de gotas caindo, deixando objetos cair quando esbarram em obstáculos, ou mesmo conversando umas com as outras. E há ainda uma série de particularidades – como anúncios, programas de televisão, as já clássicas chamadas nas estações de rádio – que deixam a cidade ainda mais viva, somados aos vários retoques em outros elementos característicos da franquia – como nos roubos de carro, que agora podem ter seus vidros quebrados e precisam de uma ligação direta para a partida.

Este cuidado na ambientação e na narrativa acaba por incentivar o jogador a seguir com a campanha principal, algo que nem sempre acontecia nos jogos anteriores – muitas vezes os jogadores se perdiam nas possibilidades de criar o caos e se esqueciam de prosseguir com a história. Mas ainda que “GTAIV” tente te direcionar para a trama, não há limitações e tudo funciona como um legítimo exemplar da série, desde a primeira cena.
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Análise Grand Theft Auto: Chinatown Wars

Depois de passar algumas horas jogando “Grand Theft Auto: Chinatown Wars”, a gente começa a se perguntar como a Rockstar conseguiu incluir tanto conteúdo em um mero cartucho de DS. Ele deveria pesar pelo menos uns dez quilos para condensar todos os elementos que transformaram a série em sucesso absoluto, incluindo aí muitas novidades apresentadas pelo moderno “Grand Theft Auto IV”. E não é isso que acontece, mantendo o aparelho ainda levinho e elegante como sempre.

Brincadeiras à parte, o novo episódio da famosa franquia da Rockstar consegue contar uma história madura e manter elementos de ação, pilotagem e bandidagem intocadas no portátil da Nintendo – para o alívio dos fãs que temiam por uma infantilização da série. Concessões tiveram que ser feitas, claro, para se adequar ao baixo poder de processamento do DS; os visuais não são dos mais impressionantes e a câmera voltou aos céus como nos dois capítulos iniciais da série, mas isto não é problema: “Chinatown Wars” é um verdadeiro exemplar da grife e um dos mais complexos games do acervo do DS.

Conflitos internos

O game tenta emular o clima de filmes de exploitation dos anos 70, que adicionam ao forte componente racial uma saborosa trilha funkeada, frases de efeito a todo instante, muita malícia e momentos tão absurdos quanto surpreendentes. Aqui o protagonista é Huang Lee, herdeiro de uma família mafiosa que viaja até Liberty City para entregar uma espada a seu tio – artefato que formaliza a passagem da chefia da organização ao parente – depois que seu pai é assassinado.

A história se desenvolve com a chegada de Lee aos EUA. Em Liberty City o rapaz sofre um atentado e é deixado para morrer, perdendo também a tal relíquia familiar. Ele então tem que se explicar ao tio, que não gosta nada do que ouve e o coloca para realizar trabalhos menores. A partir daí, nosso anti-herói começa a desenvolver relacionamentos com figuras pitorescas da cidade e a investigar os motivos por trás de sua recepção nada amistosa.

O roteiro se desenvolve naquele passo de sempre, ainda bastante eficaz e com um jeito um pouco moleque, com muita marra, diálogos recheados de palavrões e algumas reviravoltas. E ali ainda cavaram uma maneira de introduzir um novo elemento na dinâmica do jogo que foi feito para gerar polemica e notas na imprensa: um divertido minigame de tráfico de drogas. É isso mesmo, um componente importante deste novo game está no ato de cruzar a cidade em busca de drogas baratas para revender – e é algo relativamente complexo, que requer análise de mercado e bom instinto para saber onde e quando vender para conseguir bons lucros.
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